REFÚGIO


12/05/2005


O homem certo, eu errada

Ele era o pior. Escolha feita a dedo. Tinha o mais calado, o mais fiel, o mais entregue. Estavam todos . O mais bonito, o mais feio, o mais adequado. Tinha o que fazia mais o meu tipo, tinha o que apresentava um estilo mais parecido com o meu. E eu quis ele. Ele que não é o que sonhei a vida inteira, ele que não reconhece o meu valor, ele que vai embora quando tem vontade, sem achar que me deve explicações. Ele que me faz perder o sono, ele que não me liga, ele que enche minha cabeça com paranóias estúpidas, ele que me bloqueia para outroseles’.

 

Era tão mais fácil escolher o mais ajustado. Era tão menos sofrível escolher o que nutria por mim algum sentimento. Era melhor ter escolhido o mais correto. Era melhor... e era sem graça, e era falso. E não era eu.

 

Eu sempre escolho o mais complicado. Eu sou assim. Eu atraio isso, não sei. Talvez o certinho seja certinho demais para mim. Talvez o canastrão que me traz insegurança, traga também uma energia a mais nessa vida em que se foge o tempo todo da monotonia. E a energia vai-se toda nas noites mal dormidas, nos prantos derramados, na espera do celular a tocar. Mas a saga não cessa. Eu choro, eu espero, eu me decepciono. Ele liga, ele some, ele volta, ele desilude. O que é pior: eu gosto. Eu sou a mulher certa...  para os homens errados!

Escrito por FRAN às 16h36
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10/05/2005


Me contradizendo...

Mas tem também, amigos, o lado bom de ser certinha. Mas não mais aquela pessoa quadrada que levava papel na cabeça. Não mais aquela pessoa que tinha um jeito exageradamente reto de ver as coisas. Não aquela menina ingênua, não aquela menina desligada, não a adolescente iludida.

Mas se não me considero mais certinha, continuo achando (modéstia bem à parte) que minha mãe fez um bom trabalho. Mantem-se a índole, o bom caráter, a idéia de que é preciso ser honesto em qualquer circunstância. Mantenho-me mulher direita, mulher completa. Acrescento um pouco mais de perspicácia, um pouco mais de malícia, um pouco mais de segurança (mesmo com toda insegurança). Sou mais atenta. Sou mais ativa. Mas sou a Fran de sempre. Por mais paradoxal que isso possa parecer.

Agora, com a partida próxima e os desabafos de alguns amigos, tenho colhido os louros da postura adotada. Como me faz contente saber que fui aprovada. Mesmo aquele que sempre me achou careta, mesmo aquele que mal me dirigia a palavra, mesmo o que eu jamais imaginava. Recebi palavras que alimentam qualquer alma. Recebi felicitações pela minha postura. Recebi lamentações pela minha partida. Talvez eu tenha deixado um pouquinho de mim aqui no Rio. E na certeza de que levo muito de muito que vivi aqui em tão pouco tempo. Bjs.

 

PS: Obrigada a todos pelas mensagens de carinho. Minha avó saiu do hospital antes do Dia das Mães e, graças a Deus, passa bem. Amanhã é Missa de Sétimo Dia da mãe do Mirandinha!

Escrito por FRAN às 16h25
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, COPACABANA, Mulher, de 20 a 25 anos